FANFAR: Cooperação reforçada na previsão operacional e alertas de inundação na África Ocidental

FANFAR é um projeto financiado pela UE empenhado em atingir uma eficaz gestão de inundações na África Ocidental. O projeto FANFAR procura promover os benefícios sociais das previsões hidrológicas e da informação sobre os riscos de inundação para que a população esteja consciente e preparada para as próximas inundações.

O projeto FANFAR reúne uma cascata de intervenientes de várias disciplinas a nível regional (supranacional), nacional e local de todos os países da África Ocidental, bem como dos países parceiros externos.

Cascata de intervenientes a nível regional (supranacional), nacional e local envolvidos na melhoria da gestão de inundações na África Ocidental através do projeto FANFAR.

Objetivos

O objetivo geral do projeto FANFAR é reforçar a cooperação entre os profissionais dedicados à modelação hidrológica, observação no terreno, gestão de dados, previsão operacional, gestão de emergências, desenvolvimento de tecnologias de informação e comunicação (TIC), tecnologia satélite e análise de decisão para proporcionar um sistema piloto de previsão e alerta hidrológico para a África Ocidental, numa ótica de co-design, co-adaptação, integração e co-operação.

FANFAR promove o co-design do sistema através de workshops regulares com representantes de todos os países da África Ocidental, que juntos definem e priorizam os requisitos do sistema. FANFAR co-adapta o sistema através de um desenvolvimento conjunto usando código open-source. FANFAR integra todos os componentes essenciais de um sistema de previsão, para que sejam produzidas diariamente previsões atualizadas e informações sobre o risco de inundação. O sistema FANFAR é operado, apoiado e testado conjuntamente por parceiros da África Ocidental e da Europa.

Abordagem

O conceito geral do projeto FANFAR é uma cooperação interdisciplinar multinível com base na participação das partes interessadas. Diversos tipos de intervenientes estão envolvidos, nomeadamente:

  • produtores de previsões (envolvidos no estabelecimento, funcionamento, melhoria e apoio do sistema de previsão e alerta hidrológico);
  • utilizadores da informação sobre previsões (envolvidos na aplicação de informação sobre previsões e alerta para fins produtivos na sociedade, tais como agências de proteção civil, organizações de ajuda de emergência, cooperativas agrícolas e gestores de reservatórios).
Visão geral da abordagem tridimensional do projeto FANFAR (em verde, azul e laranja) e dos principais intervenientes do projeto.

O projeto FANFAR tem três dimensões: (i) o ciclo de cooperação no domínio das TIC, (ii) a análise do comportamento e de decisão e (iii) a sustentabilidade.

O ciclo de cooperação TIC (Caixa Verde) centra-se na adaptação e implementação colaborativa das TICs existentes para garantir que elas satisfaçam as necessidades e condições da África Ocidental. Um processo iterativo é utilizado para construir e refinar o sistema de previsão, incluindo os seguintes passos:

  • definir as necessidades específicas dos utilizadores,
  • priorizar as necessidades e realizar em co-design as adaptações ao sistema,
  • co-adaptar, desenvolver e integrar componentes e produtos do sistema,
  • demonstrar as funcionalidades do sistema,
  • desenvolver competências sobre como utilizar, operar, personalizar e manter o sistema, como aceder e interpretar os resultados obtidos, assim como contribuir para melhorias,
  • explorar, manter e apoiar o sistema, e
  • testar o sistema e fornecer feedback para a próxima iteração do ciclo de cooperação.

Este processo é promovido em várias iterações, principalmente através de quatro workshops na África Ocidental, reunindo um grupo interdisciplinar de intervenientes envolvidos na gestão de inundações.

A segunda dimensão (Caixa Azul) visa compreender e melhorar os processos de tomada de decisão e de adoção de tecnologia. A utilização de uma abordagem transparente e voluntária com base na análise de decisão multicritérios e na investigação operacional comportamental, as preferências e o comportamento dos intervenientes são analisados antes, durante e após a introdução das adaptações às tecnologias. Esta abordagem é aplicada para compreender melhor a formulação de preferências, identificar variáveis críticas que podem modificar essas preferências e melhorar a adoção de tecnologia, assim como facilitar a sustentabilidade do sistema.

A terceira dimensão (caixa laranja) centra-se na sustentabilidade e exploração do sistema. Aqui, por exemplo, analisamos (i) as necessidades de operações sustentáveis lideradas por instituições da África Ocidental (por exemplo, custos do sistema, integração em fluxos de trabalho operacionais, necessidades adicionais de transferência de tecnologia, funções adequadas para diferentes instituições), (ii) as principais restrições às operações futuras (por exemplo, recursos humanos e financeiros, regulamentos) e (iii) as principais oportunidades (por exemplo, articular o sistema FANFAR com iniciativas complementares na região). Em colaboração com os parceiros adequados, nós trabalhamos para identificar e explorar mecanismos de financiamento adequados para permitir o funcionamento a longo prazo do sistema, isto é, posterior a 2020.

O consórcio FANFAR

O consórcio FANFAR é composto por um grupo equilibrado de parceiros de seis instituições diferentes provenientes da África Ocidental (Níger e Nigéria) e da Europa (Itália, Espanha, Suécia e Suíça), que em conjunto providenciam o conhecimento necessário para a realização do projeto.

Fotografia dos parceiros FANFAR tirada no primeiro Workshop FANFAR em Niamey, Níger, setembro de 2018. Da esquerda para a direita: Abdou Ali (AGRHYMET), David Gustafsson (SMHI), Bernard Minoungou (AGRHYMET), Jafet Andersson (SMHI), Umar Magashi (NIHSA), Francisca Fashe (NIHSA), Bode Gbobaniyi (SMHI), Berit Arheimer (SMHI), Alice Aubert (Eawag), Hamatan Mohamed (AGRHYMET), Judit Lienert (Eawag), Aytor Naranjo (IsardSAT), Bonaventure Nwaigwe (SSAH), Shuaib Addi (NIHSA), Tharcisse Ndayizigiye (SMHI), Francisco Silva Pinto (Eawag), Emilie Breviere (SMHI) e Emmanuel Mathot (Terradue).

Jingle FANFAR composto e interpretado pelo coordenador do projeto FANFAR.

O Instituto Sueco de Meteorologia e Hidrologia (SMHI) é uma agência especializada do Ministério do Ambiente e Energia da Suécia. Com sua experiência única em meteorologia, hidrologia, oceanografia e climatologia, a SMHI contribui para o bem-estar público, segurança e uma sociedade sustentável.

Os hidrólogos da SMHI têm experiência na construção, adaptação e operação de sistemas nacionais e continentais de previsão hidrológica, bem como experiência no desenvolvimento de competências. A SMHI coordena o projeto FANFAR e lidera o Pacote de Trabalho 1 referente à “Gestão, Divulgação e Comunicação”.

O coordenador do projeto é Jafet Andersson.

O Centro Regional AGRHYMET é uma instituição internacional especializada da África Ocidental. O centro foi criado e mandatado por treze Estados-Membros para fornecer informações operacionais para a tomada de decisão no domínio da segurança alimentar, do alerta precoce e da gestão do risco de catástrofes nas regiões do Sahel e da África Ocidental. AGRHYMET está sediada no Níger.

Os hidrólogos da AGRHYMET têm a competência para produzir e fornecer informação de alerta precoce sobre riscos hidrometeorológicos, tais como inundações, a nível regional na África Ocidental, bem como para formar e assistir as agências nacionais. AGRHYMET lidera o Pacote de Trabalho 4 sobre “Sustentabilidade através da capacitação, apoio, diálogo e desenvolvimento comercial”.

A Agência Nigeriana de Serviços Hidrológicos (NIHSA) é uma agência governamental criada sob a autoridade do Ministério dos Recursos Hídricos da Nigéria. De acordo com as diretrizes da Organização Meteorológica Mundial e as melhores práticas internacionais, a principal função da NIHSA é fornecer dados e informação sobre a localização dos recursos hídricos no tempo e no espaço, a sua extensão, fiabilidade, qualidade e possibilidades da sua utilização e controle de forma contínua.

Os hidrólogos da NIHSA têm experiência na monitorização de caudais, avaliação de inundações, emissão de alertas e conhecimento hidrológico local. As tarefas da NIHSA no projeto FANFAR consistem na participação no co-design e co-adaptação do sistema de previsão de inundações, por exemplo, integrando os dados referentes ao caudal dos rios das estações hidrométricas e testando a informação de previsão na gestão prática de inundações.

O Instituto Federal Suíço de Ciência e Tecnologia Aquática (Eawag) é um instituto líder mundial em pesquisa, educação e consultoria em ciência e tecnologia aquáticas. Os investigadores da Eawag trabalham em estreita colaboração com os profissionais do setor para manter a ligação entre teoria e prática.

Os analistas de decisão da Eawag têm experiência na promoção da participação dos utilizadores para a integração das suas preferências, objetivos e necessidades em projetos de sistemas de água, assim como em analisar respostas comportamentais a novas tecnologias. A Eawag lidera o Pacote de Trabalho 2 sobre “Necessidades do Utilizador, Testes e Respostas Comportamentais”.

A IsardSAT é uma empresa de Investigação e Desenvolvimento com sede em Espanha que providencia serviços e soluções no âmbito da observação da Terra. A IsardSAT desenvolve projetos que requerem conhecimento do sistema, que são geridos por engenheiros, e projetos que requerem um conhecimento mais profundo do produto final, liderados por cientistas.

Os parceiros da isardSAT têm experiência na utilização de observações da Terra para aplicações hidrológicas em regiões onde os dados são escassos, assim como competência para ajudar os utilizadores do sistema. A isardSAT lidera o Pacote de Trabalho 3 sobre o “Sistema de Previsão e Alerta das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)”.

A Terradue é uma empresa de TIC sediada em Itália. A missão da Terradue é inovar em serviços de ciências da Terra, adaptados para aplicações que requerem o uso intensivo de dados. A Terradue tem como objetivo a remoção de barreiras e a automatização do armazenamento de dados em cloud, a criação de algoritmos de análise de dados e a disponibilização de um considerável poder de computação.

Os especialistas em TIC da Terradue têm experiência na integração, implementação e operação de sistemas de TIC em cloud capazes de lidar com grandes volumes de dados e processamento ininterrupto. No projeto FANFAR, a Terradue opera e adapta a plataforma de exploração temática Hydrology-TEP, que fornece capacidades de processamento em cloud e integra modelos hidrológicos, observações da Terra e previsões meteorológicas.

Organizações que contribuem para o projeto FANFAR

As seguintes organizações contribuem para o projeto FANFAR e através das suas sugestões, melhoram os sistemas.

PaísOrganizações

Benin

Direction Générale des Ressources en Eau

Benin

Agence Nationale de la Protection Civile

Burkina Faso

Autorité du Bassin de la Volta

Burkina Faso

Secrétariat Permanent du CONASUR

Burkina Faso

Direction Générale des Ressources en Eau

Cap Vert

Agence Nationale de l’Eau

Cote d’Ivoire

DGIH

Cote d’Ivoire

Plateforme Nationale pour la Réduction des Risques et Catastrophes

Gambie

Regional Disaster Management

Gambie

Centre National de Gestion des Catastrophes et des Urgences Environnementales

Ghana

Hydrological Services Department

Ghana

National Disaster Management Organisation

Guinée

Direction Nationale de l’Hydraulique

Guinée Bissau

Direction Générale des Ressources Hydriques

Guinée Bissau

Service National de protection civile

Liberia

National Disaster Management Agency

Mali

Direction Générale de la Protection civile

Mali

Direction Nationale Hydraulique

Mauritanie

Direction Aménagement Rural

Niger

Direction Nationale de l’Hydraulique

Niger

Direction Générale de la Protection civile

Senegal

Direction de la Gestion et de la Planification des Ressources en Eau

Sénégal

Organisation de Mise en Valeur du Fleuve Gambie

Sénégal

Direction de la Protection Civile

Sierra Leone

Ministry of Water Resources

Tchad

Direction des Ressources en Eau

Tchad

Commission du Bassin du Lac Tchad

Togo

Agence Nationale de la Protection Civile

Togo

Direction des Ressources en Eau